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Boletim Carvalhaes: Principais países produtores de café enfrentam problemas climáticos

Publicado em 14/09/2020 09:42

Devido ao feriado do dia 7, da Independência no Brasil e do trabalho nos EUA, o mercado de café só começou a trabalhar na terça-feira.

Aparentemente em um movimento de realização de lucros, os contratos de café na ICE Futures US operaram em baixa na terça e na quarta-feira. Ontem e hoje voltaram ao positivo. No balanço da semana, os com vencimento em dezembro próximo perderam 155 pontos.

Os preços em Nova Iorque e Londres refletem preocupações dos operadores com as incertezas climáticas no Brasil e nos demais países produtores de café. A colheita da safra brasileira de café, de ciclo alto, na prática já terminou. A quantidade de café colhido ficou dentro das expectativas do mercado e a qualidade média é muito boa.

Em junho encerramos o ano-safra 2019/2020 com os armazéns vazios, sem estoques de passagem, e contamos apenas com a nova safra para abastecer nossas exportações e nosso consumo interno. O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil estima que nossas exportações neste novo ciclo, que vai até junho de 2021, ficarão ao redor de 43 milhões de sacas, enquanto nosso consumo interno deverá chegar a 22 milhões de sacas nesse mesmo período. Portanto precisaremos de 65 milhões de sacas para atender nossos compromissos neste ano-safra 2020/2021. No próximo ano, novamente sem estoques de passagem significativos, colheremos uma safra de ciclo baixo.

Os demais produtores de café da América Latina também enfrentaram sérios problemas climáticos e começam agora a se preparar para o início dos trabalhos de colheita. Com produtividade bastante inferior à brasileira e colheita manual, esses países terão sérios problemas para colher em meio à pandemia. Muitos estão com as fronteiras fechadas, o que impedirá o usual transito de colhedores de um país para o outro.

Como sempre em ano de safra de ciclo alto, quando as arvores produzem muito, estamos terminando a colheita com os cafeeiros bastante desgastados. Essa é a razão da bianualidade e de uma safra de ciclo baixo no ano seguinte, quando os cafezais se recuperam e armazenam força para a próxima safra de ciclo alto.

Em 2020 o desgaste é sensivelmente maior. Tivemos chuvas abaixo da média nas principais regiões produtoras de café no Brasil. As áreas de café do sul de Minas Gerais enfrentam seu maior déficit hídrico desde 2014, com armazenamento de água no solo em torno de 5% da capacidade. A situação não é muito diferente nas demais regiões produtoras. Tivemos um inverno com tempo ensolarado e quente na maior parte do Centro e Sul do Brasil e como estamos caminhando para primavera, as temperaturas médias só tendem a aumentar. Minas Gerais, responsável por metade da produção brasileira, e São Paulo, segundo maior produtor de arábica, começarão a receber as primeiras precipitações por volta de 20 de setembro, mas o acumulado projetado é baixo (informações climáticas da SOMAR Meteorologia).

O quadro é sério e as preocupações do mercado são justificadas.

O CECAFÉ – Conselho dos Exportadores de Café do Brasil informou que no último mês de agosto foram embarcadas 3.256.719 sacas de 60 kg de café, aproximadamente 3% (112.296 sacas) menos que no mesmo mês de 2019 e 2% (59.991 sacas) mais que no último mês de junho. Foram 2.494.535 sacas de café arábica e 472.229 sacas de café conilon, totalizando 2.966.764 sacas de café verde, que somadas a 289.659 sacas de solúvel e 296 sacas de torrado, totalizaram 3.256.719 sacas exportadas em agosto último.

Até dia 9, os embarques de setembro estavam em 36.925 sacas de café arábica, 10.006 sacas de café conillon, mais 17.138 sacas de café solúvel, totalizando 64.069 sacas embarcadas, contra 394.103 sacas no mesmo dia de agosto. Até o mesmo dia 9, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 841.414 sacas, contra 1.064.052 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 4, sexta-feira, até o fechamento de hoje, dia 11, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo 155 pontos ou US$ 2,05 (R$ 10,93) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 4 a R$ 940,69 por saca, e hoje dia 11 a R$ 934,19. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 75 pontos.

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Fonte:
Escritório Carvalhaes

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